Quando a vilã é realmente uma vilã: 5 manhwas com protagonistas moralmente questionáveis

Nem toda protagonista precisa ser bondosa, justa ou estar interessada em salvar o mundo. Algumas mentem, manipulam, planejam vinganças e não hesitam em prejudicar outras pessoas quando isso significa conseguir o que desejam.

Nos manhwas, essa característica tem conquistado espaço em histórias que colocam mulheres moralmente ambíguas no centro da narrativa. Em vez de acompanhar uma personagem que tenta conquistar a simpatia de todos, o leitor encontra protagonistas cujas decisões nem sempre são fáceis de defender.

O mais interessante é que essas personagens não precisam necessariamente ser as grandes vilãs da história. Algumas foram vítimas de circunstâncias cruéis, outras buscam vingança e há aquelas que simplesmente aprenderam a colocar os próprios interesses acima dos demais.

É uma abordagem diferente das tradicionais histórias de villainess isekai, nas quais a protagonista geralmente recebe uma segunda oportunidade para mudar seu destino e escapar de uma reputação negativa.

Desta vez, a proposta é outra: conhecer manhwas em que a ambição, a manipulação e as escolhas moralmente questionáveis fazem parte da personalidade das protagonistas — e não apenas de um passado que elas desejam deixar para trás.

1. Your Throne

Poucas protagonistas representam tão bem a inteligência estratégica e a ambição quanto Medea Solon, de Your Throne.

Criada para ser a mulher perfeita para ocupar o trono ao lado do príncipe herdeiro, Medea desenvolveu habilidades excepcionais em política, combate e manipulação. Entretanto, quando Eros escolhe Psyche Callista como sua futura esposa, a jovem percebe que sua posição e seus planos estão ameaçados.

Inicialmente, Medea enxerga Psyche como uma rival e não demonstra qualquer disposição para aceitar a derrota. A disputa entre as duas, porém, toma um rumo inesperado quando elas acabam trocando de corpos e descobrem que possuem um inimigo em comum.

O que torna Medea uma protagonista interessante é que sua inteligência não está necessariamente acompanhada de compaixão. Ela consegue ser calculista, cruel e implacável quando considera necessário. Mesmo quando passa a lutar contra uma ameaça maior, suas decisões continuam levantando questionamentos sobre até onde alguém pode ir em nome de seus objetivos.

Por que ler: para quem gosta de intrigas políticas, jogos de poder, rivalidades femininas e protagonistas que estão sempre alguns passos à frente dos demais.

2. Depths of Malice

Se a ideia é encontrar uma protagonista que não tenha muitos problemas em assumir seu lado cruel, Verta é uma das escolhas mais interessantes.

Em Depths of Malice, a personagem originalmente conhecida como Rita enfrenta uma doença terminal e decide que não permitirá que sua vida termine sem lutar.

Desesperada para sobreviver, ela rouba o corpo de outra mulher e assume a identidade de Verta, filha de um conde. A nova posição oferece conforto e privilégios, mas também coloca a protagonista em contato com pessoas que tentam controlá-la.

A partir daí, Verta deixa claro que não pretende ser uma vítima novamente. Ela utiliza mentiras, sedução e manipulação para conseguir o que deseja, sem demonstrar grande preocupação com as consequências para aqueles que entram em seu caminho.

Diferentemente de histórias em que a vingança serve como justificativa para transformar uma protagonista em heroína, aqui a narrativa permite acompanhar uma mulher que não está particularmente interessada em ser considerada boa.

Por que ler: para quem gosta de protagonistas provocadoras, vingança, manipulação e histórias com personagens moralmente difíceis de defender.

Atenção: a obra possui conteúdo adulto e temas sensíveis.

3. The Taming of the Tyrant

Em The Taming of the Tyrant, Charlize Ronan não deseja simplesmente derrotar seus inimigos. Ela quer destruir o próprio sistema que a transformou em uma ferramenta de guerra.

Em sua primeira vida, Charlize foi submetida a uma existência cruel. Sua família a transformou em uma espécie de espada viva, utilizada pelos imperadores para cumprir seus interesses. Depois de desejar justiça, ela desperta novamente em seu corpo de infância, com a oportunidade de mudar o curso dos acontecimentos.

Dessa vez, entretanto, Charlize escolhe um caminho bastante particular: transformar Dylan Blade em um tirano.

Ela pretende colocá-lo no trono e utilizá-lo para derrubar o império que tanto a prejudicou. Para isso, manipula sua formação, suas emoções e sua trajetória política.

O detalhe é que Charlize não está necessariamente interessada em construir um governante justo. Seu objetivo é a vingança, mesmo que isso signifique criar alguém tão perigoso quanto aqueles que deseja destruir.

A personagem mostra como uma vítima também pode reproduzir comportamentos questionáveis quando passa a controlar o próprio destino.

Por que ler: para quem gosta de vingança elaborada, manipulação psicológica, relações complicadas e protagonistas que não pretendem seguir um caminho moralmente correto.

4. Dreaming Freedom

Saindo dos cenários de fantasia e dos conflitos entre famílias aristocráticas, Dreaming Freedom apresenta uma protagonista cuja transformação acontece em meio ao bullying e à vingança.

Choi Jeongmin é uma estudante solitária que sofre perseguições na escola. A responsável é Juhyeon, uma antiga amiga que passou a isolá-la e incentivar os colegas a maltratá-la.

Sem conseguir encontrar uma saída para a situação, Jeongmin encontra refúgio nos sonhos lúcidos. É nesse espaço que conhece um homem misterioso, que oferece ajuda para se vingar de quem tornou sua vida insuportável.

O que começa como uma oportunidade de escapar do sofrimento se transforma em uma relação marcada por dependência, obsessão e decisões cada vez mais preocupantes.

Jeongmin não é uma personagem que simplesmente supera os traumas e segue em frente. Conforme a história avança, sua relação com a vingança e com as pessoas ao redor se torna mais complexa.

O manhwa explora justamente essa transformação: até que ponto alguém pode ser levado ao extremo pelas experiências que viveu? E quando a busca por justiça começa a se confundir com o desejo de machucar outras pessoas?

Por que ler: para quem gosta de suspense psicológico, relações tóxicas, obsessão e protagonistas cuja evolução não segue necessariamente um caminho positivo.

A obra foi concluída na plataforma WEBTOON e possui classificação indicativa para maiores de 16 anos.

5. Your Eternal Lies

Nem toda protagonista moralmente ambígua precisa ser uma manipuladora cruel. Às vezes, o problema está justamente no fato de que ninguém consegue ter certeza se ela está dizendo a verdade.

Em Your Eternal Lies, Rosen Walker é conhecida como uma das prisioneiras mais famosas do império. Acusada de assassinar o próprio marido aos 17 anos, ela também carrega um histórico de tentativas de fuga.

Sua transferência para uma prisão de segurança máxima coloca a jovem sob a vigilância de Ian Connor, um herói de guerra encarregado de transportá-la.

O encontro entre os dois estabelece o principal conflito da narrativa: Ian precisa descobrir quem realmente é Rosen, enquanto ela tenta sobreviver em um ambiente no qual qualquer palavra pode ser utilizada contra si.

Rosen é uma protagonista particularmente interessante porque sua reputação é construída em torno das mentiras. Ela sabe como manipular conversas, esconder informações e utilizar as expectativas das pessoas para conseguir alguma vantagem.

Entretanto, conforme os acontecimentos avançam, o leitor também começa a questionar a própria versão dos fatos apresentada pelas autoridades.

A história brinca com a percepção de certo e errado e mostra como a verdade pode ser muito mais complicada do que uma acusação parece sugerir.

Por que ler: para quem gosta de mistério, personagens enigmáticos, narrativas de investigação e protagonistas que escondem muito mais do que revelam.

A versão em quadrinhos foi concluída e conta com 81 episódios na plataforma Manta.

Por que gostamos de protagonistas moralmente questionáveis?

Existe uma diferença interessante entre acompanhar uma personagem que precisa lutar contra um destino injusto e conhecer alguém que, mesmo tendo boas razões para agir, não necessariamente faz escolhas corretas.

Nos manhwas desta seleção, a vingança não funciona como uma justificativa automática para todas as atitudes das protagonistas. Medea pode ser estrategista e cruel; Verta não tem interesse em conquistar a aprovação dos outros; Charlize está disposta a criar um tirano para alcançar seus objetivos.

Já Jeongmin e Rosen mostram outras possibilidades de explorar personagens que transitam entre a vulnerabilidade e a manipulação.

É justamente essa complexidade que torna essas histórias interessantes. Afinal, nem toda protagonista precisa ser um exemplo de virtude para merecer o protagonismo.

E, às vezes, acompanhar uma personagem que não pretende ser uma boa pessoa é muito mais interessante do que assistir a mais uma história de redenção.