Você assistiu Uma Advogada Extraordinária e ficou com a saudação da Woo grudada na cabeça? Você não foi a única. Esse k-drama coreano não virou febre só pela história de amor, pelo elenco lindo ou pela trilha sonora. Ele mexeu com muita gente porque colocou uma advogada autista como protagonista e conseguiu, ao mesmo tempo, encantar o público geral e abrir uma discussão seríssima sobre representação. E essa conversa não acabou.
| Título original | Yisanghan Byeonhosa Wooyoungwoo |
|---|---|
| Episódios | 16 (1ª temporada) |
| Estreia | 29 de junho de 2022 |
| Onde assistir | Netflix |
| Gênero | Drama jurídico, romance |
| Elenco principal | Park Eun-bin, Kang Tae-oh |
Onde assistir Uma Advogada Extraordinária
Continua rodando na Netflix, com os 16 episódios da 1ª temporada legendados em português. Se você ainda não viu, é a chance de conhecer a Woo Young-woo do começo. E se já viu, dá pra rever tranquilo: do jeito que a discussão em torno do dorama continua viva, uma segunda maratona só soma.
Sobre o que é o dorama
Woo Young-woo tem 27 anos, um QI de 164 e memória fotográfica. Ela se formou como a melhor aluna da Universidade Nacional de Seul, entrou num escritório grande de advocacia e resolve casos com uma lógica que ninguém mais enxerga. Woo também está no espectro autista, e boa parte do que acontece nos 16 episódios é sobre como o mundo a percebe (esquisita, solitária, diferente demais) e como ela se percebe: como advogada querendo trabalhar direito, filha querendo se conectar com o pai, mulher querendo amar e ser amada.
E já dá pra sentir que o dorama não é só um drama jurídico. Ele vira algo maior.
O debate que Woo Young-woo abriu na Coreia (e no mundo)
Uma Advogada Extraordinária não virou só hit, ela virou espelho. Na Coreia do Sul, famílias de pessoas autistas passaram a discutir o dorama em público. E as opiniões se dividem.
De um lado, algumas famílias descreveram a Woo como pura fantasia. Lee Dong-ju, mãe de uma criança autista, deu uma comparação que fica grudada:
“Alcançar a Woo seria como uma criança ganhar uma medalha olímpica de ciclismo sem poder andar ainda.”
Lee Dong-ju, mãe de uma criança autista
A crítica faz sentido. Pra maioria das pessoas dentro do espectro, alcançar as habilidades que a Woo demonstra na tela não é realista. Ela é um personagem escrito pra maximizar o efeito dramático.
Mas o professor de psiquiatria Kim Eui-jung, do Hospital Mokdong da Universidade Ewha Womans, lembra que há mais verdade na história do que o público coreano em geral imagina. Cerca de um terço das pessoas no espectro tem inteligência média ou acima da média, e podem não ter características autistas perceptíveis pra quem olha de fora. Muitas nem sabem que estão no espectro.
Foi o caso da sul-coreana Lee Da-bin, diagnosticada só na vida adulta. Ela conta que compartilha vários traços com a personagem: hipersensibilidade ao sabor, excelência acadêmica, ter sofrido bullying por ser diferente. Cresceu se culpando por não conseguir se encaixar.
“As pessoas não reconhecem as formas leves de autismo. Sinto que estou sendo excluída.”
Lee Da-bin
Foi só depois de abandonar a escola e começar a se consultar com um psiquiatra pra tratar depressão que veio o diagnóstico. As lutas da adolescência começaram a fazer sentido.
“Era uma vida em que eu não falava nem 10 palavras por dia. Vivi toda a minha vida pensando que sou apenas uma pessoa estranha e que era minha culpa não poder me dar bem com outras pessoas.”
Lee Da-bin, em entrevista à AFP
O professor Kim Hee-jin, do Hospital Universitário Chung-Ang em Seul, reforça por que essa conversa importa tanto.
“A consciência pública ou a compreensão do autismo de alto funcionamento ainda é muito limitada na Coreia do Sul e em muitos lugares do mundo.”
Kim Hee-jin, professor de psiquiatria
O público em geral, ele explica, vê o autismo como uma condição que envolve deficiência intelectual grave. Essa visão contribui pra falhas mais amplas no diagnóstico e na oferta de apoio precoce. E intervir cedo faz diferença: ajuda pessoas no espectro a não se culparem pelos desafios que enfrentam, como dificuldade de fazer e manter amizades.
Pra Lee Da-bin, saber cedo teria evitado muita dor. Desde o diagnóstico, ela retomou os estudos e mira uma carreira na medicina. Como a Woo, quer ganhar dinheiro pra se sustentar, ter seu próprio lugar e viver com alguém que ama.
E foi essa conversa que a Woo destravou. Não só na Coreia.
A responsabilidade que Park Eun-bin sentiu
A atriz Park Eun-bin virou queridinha do público brasileiro depois do papel. Em entrevistas, ela contou que hesitou em aceitar Woo. Sabia do impacto que a série poderia ter nas percepções sobre pessoas autistas.
“Senti que tinha uma responsabilidade moral como atriz. Eu sabia que a série inevitavelmente teria uma influência sobre pessoas com autismo e suas famílias.”
Park Eun-bin
Ela completou:
“Foi a primeira vez que eu não tinha absolutamente nenhuma ideia do que fazer, quando se tratava de como expressar as coisas, enquanto lia o roteiro.”
Park Eun-bin
O resultado foi uma atuação delicada, cuidadosa e ao mesmo tempo firme. As premiações vieram: a série levou o prêmio de Melhor Conteúdo no Asian Contents Awards de 2022, entre vários outros. E o público global veio junto.
O fenômeno em números
Uma Advogada Extraordinária virou a série coreana mais assistida da Netflix por mais de um mês, seguindo um caminho parecido com o de Round 6 (Squid Game). Alguns números do fenômeno:
- 404 milhões de horas assistidas no acumulado da 1ª temporada
- 23,9 milhões de horas já na semana de estreia
- 60 milhões de horas semanais na 4ª semana
- Adaptação em webtoon publicada em 4 idiomas
- Remake norte-americano em desenvolvimento
E teve a viralização do #Woo_Challenge: os membros do BTS postaram um vídeo imitando a saudação especial da Woo com a melhor amiga, e o passo virou meme mundial.
E a 2ª temporada?
A produtora Astory confirmou a 2ª temporada ainda em 2022. Park Eun-bin tá acertada pra voltar, e o roteirista Moon Ji-won também. Mas o cronograma foi ficando pra depois. A produção falou publicamente em não apressar pra manter a qualidade da 1ª temporada, e até agora não teve estreia oficial anunciada.
Enquanto a gente espera, o universo da Woo Young-woo seguiu se expandindo em webtoons, adaptações e conversas que atravessam a tela.
Elenco principal
- Park Eun-bin como Woo Young-woo
- Kang Tae-oh como Lee Joon-ho
- Kang Ki-young como Jung Myung-seok
- Ha Yoon-kyung como Choi Soo-yeon
- Joo Jong-hyuk como Kwon Min-woo
- Joo Hyun-young como Dong Geu-ra-mi
- Jeon Bae-soo como Woo Gwang-ho (pai da Woo)
- Baek Ji-won como Han Seon-young
- Jin Kyung como Tae Soo-mi
- Im Sung-jae como Kim Min-shik
A direção é de Yoo In-shik e o roteiro é de Moon Ji-won.
Perguntas frequentes
Onde assistir Uma Advogada Extraordinária?
Quantas temporadas tem Uma Advogada Extraordinária?
Sobre o que é o dorama Uma Advogada Extraordinária?
Quem interpreta a Woo Young-woo?
Uma Advogada Extraordinária vai ganhar um remake americano?
Por que esse dorama continua importante
Uma Advogada Extraordinária é daqueles doramas que a gente termina e fica pensando por dias. É leve o suficiente pra maratonar num fim de semana, mas ela é pesada o suficiente pra abrir uma conversa que muita gente precisava ter, sobre um espectro que ainda é mal compreendido. Ela não é o retrato perfeito e nem tem essa pretensão. Ela é um convite pra prestar mais atenção, pra desconstruir a ideia de autismo no singular e começar a olhar pras pessoas.
Se você já assistiu, dividir com uma amiga que ainda não viu é um jeito de manter viva a discussão que a Woo começou. E se você ainda não assistiu, tá esperando o quê?
Depoimentos originais coletados pela AFP e reportados por JapanToday.




Eu encontrei a sua página recentemente e li algumas matérias. Essa foi a melhor até agora com uma dose interessante de conteúdo bem organizado. Mas todos só conteúdos parecem interessantes.
Obs: Eu não sei que ferramentas você usa para editar. Esta tudo muito bonito e agradável esteticamente mas você podia revisar algumas coisas, textos.
Olá
Agradeço seu comentário e elogio.
Todos os textos são revisados e por mais de uma pessoa, mas as vezes, alguma coisa acaba passando despercebido.
Se for um problema muito gritante, é só comentar aqui, ou enviar um e.mail, que a gente corrige.