Domingo de manhã, café com leite ainda quente, Globo na TV. Você provavelmente nem lembrava o nome da série direito, mas a vinheta de abertura entrava e algo acontecia por dentro. Era Zillion. E se você tinha entre 6 e 14 anos em 1988, existe uma chance grande de que essa série tenha sido um dos primeiros animes da sua vida, mesmo sem saber que estava vendo um anime.
| Episódios | 31 + 1 OVA (Burning Night) |
|---|---|
| Ano | 1987 (Brasil: 1988) |
| Status | Completo |
| Gênero | Ação, Ficção Científica, Aventura |
| Nota | ★ 7.3 (IMDB) |
| Onde assistir | Funimation (verificar disponibilidade) |
O anime que a Globo colocou no ar pra vender um console (e que ninguém esqueceu)
Tem um detalhe da história de Zillion que, quando você descobre, muda um pouco como você olha pra série. A TecToy, que distribuía o Sega Master System no Brasil, tinha um problema: o console vinha com uma pistola de luz, o Light Phaser, e o jogo Zillion pro acessório simplesmente não estava vendendo. A sacada foi essa: colocar o JJ na televisão toda semana usando uma pistola idêntica à do jogo. Se as crianças vissem o personagem favorito com aquela arma na mão, iam querer o jogo. Se quisessem o jogo, precisavam da pistola. E pra ter a pistola, precisavam do Master System.
A Globo entrou no projeto. Zillion, produzida pela Tatsunoko (o mesmo estúdio de Gatchaman e Speed Racer), foi ao ar aos domingos de manhã em 1988. Deu certo demais. A série chegou com álbum de figurinhas, lancheiras, camisetas, cadernos, revistas especializadas. Em menos de um ano, aquilo virou parte da nossa infância de um jeito que ninguém tinha planejado.
Era uma série japonesa de 31 episódios, feita originalmente pra vender um acessório de videogame. E ficou por décadas na memória de quem era criança na época.

A história (que você provavelmente lembra em partes)
É o ano de 2387. A humanidade colonizou outros planetas e Maris, também chamado de Terra II, era a colônia mais próspera de todas. Aí chegaram os Noza: uma raça alienígena liderada pela Imperatriz Admis com um objetivo simples e brutal, exterminar os humanos e usar o planeta como incubadora.
A defesa de Maris não consegue segurar. Surgem três armas misteriosas, as pistolas do sistema Zillion, que só funcionam nas mãos de adolescentes com uma compatibilidade genética específica. Esses três jovens formam os White Nuts, os Cavaleiros Brancos na dublagem brasileira, e viram a última esperança do planeta.
Invasão alienígena, adolescentes escolhidos, amizade que supera tudo. A gente se importava de verdade com o JJ porque ele tinha personalidade real, não era arquétipo andando pela tela. A maioria dos episódios era independente, então é normal lembrar mais da vibe do que dos detalhes da trama.
JJ, Champ e Apple: os três que a gente nunca conseguiu esquecer
JJ era aquele personagem que todo mundo na escola queria ser. Dezesseis anos, enérgico, impulsivo, sempre o primeiro a entrar em ação antes de pensar. Usa a pistola branca, a mais poderosa do trio, o que é basicamente a série reconhecendo que ele precisava de uma compensação pra toda a bagunça que causava. Irritante do jeito certo. Carismático do jeito que poucos personagens conseguem.
Champ era o músico do grupo. Tocava teclado e tinha o instrumento dentro da própria base de operações, porque por que não. É mais calmo, mais estratégico, menos dramático que JJ. A pistola vermelha combinava com o estilo: discreto, presente quando precisava, nunca roubando a cena à toa.
Apple vinha do Departamento de Inteligência antes de entrar pros White Nuts. Ela é a mediadora do trio, mas não no sentido fraco da palavra. Tem habilidades de luta que rivalizavam com os outros dois e um julgamento que frequentemente salvava as missões quando o JJ já teria afundado tudo. Pra 1987, isso era diferente. A maioria das séries da época deixava o personagem feminino no papel de suporte decorativo. Apple não. É o tipo de coisa que a gente só percebe agora, mas que estava lá desde o começo.
E tem o Bongo, mascote da série. Fofo demais pro bem de qualquer um.

Coisas que quem assistiu na época vai lembrar
O álbum de figurinhas existia, e era daqueles que você nunca completava. As figurinhas brilhantes eram raras demais, claro.
Se você ou alguém da sua casa tinha o Sega Master System com a pistola Light Phaser, era basicamente o mais popular da vizinhança. O jogo Zillion pro console era uma aventura de plataforma não-linear: você controlava o JJ, explorava ambientes, encontrava códigos, ia destrancando caminhos. Difícil. Frustrante às vezes. Mas do tipo de dificuldade que você não conseguia largar.
A lancheira do Zillion existia. Quem tinha levava pra escola com orgulho.
E tem um detalhe que muita gente não sabia: a Sega participou da produção do anime, não só licenciou. As pistolas dos personagens foram desenhadas propositalmente pra ter semelhança visual com o Light Phaser do console. O Opa-Opa, mascote da série Fantasy Zone da Sega, aparece tanto no anime quanto no jogo. Uma integração entre propriedades que era incomum pro mercado de 1987.
A dublagem que ficou na memória
A dublagem brasileira foi feita pelo estúdio Álamo. Carlos Laranjeira deu voz ao JJ, Felipe Camarão ao Champ e Rita Cleoci à Apple.
Tinha aquela energia alta e expressiva que entrava na cabeça. A voz do JJ ainda tá em você. Pode apostar. É esse tipo de registro sonoro que não sai.
A série completa foi ao ar dublada no Brasil. O OVA Burning Night também ganhou dublagem em português, o que era raro pra materiais extras naquele período.
O OVA Burning Night (o episódio que ninguém esperava)
Em 1988, um ano depois da série, a Tatsunoko lançou o OVA Zillion: Burning Night, com 45 minutos de duração. A proposta que ninguém pediu: esquecer completamente o universo sci-fi e colocar os White Nuts como uma banda de rock.
Sem Noza. Sem pistolas Zillion. Sem missões intergalácticas. Só os três num contexto musical com estética anos 80 no máximo.
Se você tava esperando a continuação da série, ficou confuso. Normal. Se entra sabendo que é uma história alternativa sem compromisso com o canon, fica bem mais fácil curtir. A trilha sonora é os anos 80 em formato de áudio, e isso sozinho já justifica assistir pelo menos uma vez.
Onde assistir Zillion hoje
A opção mais confiável é o Blu-ray/DVD lançado pela Funimation em outubro de 2018, com a série completa e o OVA em áudio japonês e legendas em inglês. Não existe lançamento físico oficial com dublagem em português.
A Funimation já teve Zillion no catálogo de streaming por aqui, mas tá oscilando. Entra no Crunchyroll pra ver se ainda tá disponível.
Pra quem quer assistir com a dublagem brasileira original: não existe versão digital oficial com o áudio PT-BR. Tem episódio no Internet Archive com dublagem PT-BR, qualidade é variada, mas é o que tem.
Vale a pena rever?
Sim. Vai, mas sabe o que esperar.
Se você assistiu na infância e quer reencontrar aquela sensação, vai encontrar ela. A animação tem cara de anos 80 do jeito que é reconfortante pra quem cresceu nessa época. A dinâmica entre JJ, Champ e Apple ainda funciona. A saudade faz o trabalho pesado, e você vai sentir isso nos primeiros minutos.
Os defeitos estão lá: os vilões são rasos, uns episódios existem só pra preencher a grade, e o ritmo é bem mais lento do que qualquer coisa que você assiste hoje. Tá datado, sim. Mas é como voltar numa cidade que você morou quando criança: as ruas são menores do que você lembrava, mas o afeto continua inteiro.
Se você está chegando sem nenhuma memória afetiva: Zillion é um anime de 1987 que mostra os anos. A animação é retrô de verdade, o ritmo demora pra engatar, e uns episódios são filler puro. Se você curte estilo clássico e tem paciência com anime da época, tem coisa boa aqui. Se não, pode ser difícil entrar.
Entrou como propaganda de console, ficou como parte da nossa infância. Não precisava de mais nada pra isso.
Se você acordava cedo pra não perder, Zillion ainda tá dentro de você. E se tem alguém na sua lista de contatos que também assistiu na época, manda esse artigo. Vira conversa na hora.
Tem outro anime clássico da sua infância que merecia esse tipo de resgate? Conta pra gente nos comentários. E se você quer mais nostalgia, tem 7 animes clássicos dos anos 70 ao 90 esperando por você.





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