Oi, fujoshis e fudanshis! Se você já passou um tempinho no fandom de yaoi e BL, com certeza esbarrou em “uke”, “seme” e, mais recentemente, “seke”. E se você tá chegando agora e não entendeu nada, relaxa, porque a gente explica tudo aqui, desde de onde vêm essas palavras até por que elas causaram tanta briga em comentário de fanfic.
Mas o papo não para na definição. A gente também quer conversar sobre uma pergunta que aparece toda hora no fandom: essa divisão é mesmo tão importante assim?
O que é uke e seme?
No yaoi e no BL, seme é o personagem ativo da relação e uke é o passivo. Simples assim. Os dois termos servem pra indicar quem faz o quê num casal de garotos, principalmente nas cenas mais quentes.
As palavras vêm do japonês. Seme (攻め) vem do verbo semeru, que significa atacar, e uke (受け) vem de ukeru, que significa receber. Elas já existiam nas artes marciais, onde o “uke” é quem recebe o golpe durante o treino. Depois, o fandom pegou esses termos emprestados e deu um sentido romântico (e bem menos inocente) pra eles.

O que é seke?
Seke é a mistura de seme com uke. O fandom criou o termo pra falar daqueles personagens que não ficam presos a um papel só. Às vezes eles são ativos, às vezes passivos, e tá tudo bem.
O termo vale pra dois casos. Tem o personagem que reveza os papéis com o mesmo parceiro, e tem aquele que é seme com um personagem e uke com outro. No fandom japonês, existe uma ideia parecida chamada riba (de “reversível”), que é quando o casal troca de posição entre si.
Por muito tempo, seke foi raridade. Hoje aparece bem mais, e a gente acha ótimo. Daqui a pouco a gente volta nesse assunto.
Os estereótipos clássicos de uke e seme
Se você já leu ou assistiu bastante yaoi, sabe que dá pra adivinhar quem é quem logo na primeira página. Isso acontece porque, durante muitos anos, os autores seguiram uma receita quase fixa pra cada papel.
O seme clássico
Mais alto, ombros largos, olhar intenso e queixo marcado. A personalidade costuma ser decidida, protetora e experiente, e muitas vezes ciumenta e possessiva também. Na prática, é aquele cara que toma a iniciativa em tudo. Muita gente brinca que ele é o “homem da relação”, o que já diz bastante sobre de onde veio esse modelo.

O uke clássico
Mais baixo, traços delicados, olhos enormes e uma carinha mais jovem. No jeito, costuma ser tímido, inexperiente e meio relutante no começo, até se render ao charme do seme. É o personagem que cora o tempo todo. E sim, muitas vezes ele é desenhado com traços mais femininos, justamente pra reforçar a ideia de que alguém precisa fazer o papel “da mulher”.
Só que aparência não define papel. Na vida real, altura, jeito e estilo não dizem nada sobre quem é ativo ou passivo. Nos mangás, por muito tempo, disseram.
Precisa mesmo ter uke e seme?
Aqui entra a nossa opinião. Durante anos, essa divisão virou algo quase sagrado no fandom. Quem viveu a época do Nyah! Fanfiction lembra bem: tinha briga gigantesca nos comentários só porque alguém discordava de quem era o seme e quem era o uke de um casal. Gente parando de ler fic por causa disso!

Só que, com o tempo, o próprio fandom começou a questionar essa regra. Por que um personagem tem que ser sempre ativo e o outro sempre passivo? Será que essa divisão não existe só porque copia um casal hétero, com um “homem” e uma “mulher” bem definidos? E quanto disso tem a ver com relacionamentos gays de verdade?
Pra gente, a resposta é clara. Prender os personagens num papel fixo não deixa a história melhor. Pelo contrário, deixa tudo previsível. Os melhores casais são aqueles em que os dois têm personalidade própria, defeitos, vontades, e se relacionam de igual pra igual.
E tem outro ponto que não dá pra ignorar. Muito yaoi antigo mostra o seme insistindo mesmo quando o uke diz não, como se isso fosse romântico. Hoje, boa parte do fandom torce o nariz pra esse tipo de cena, e com razão.
Como o BL tá mudando
A boa notícia é que o gênero mudou bastante nos últimos anos. Os títulos clichês ainda existem aos montes, mas a quantidade de histórias que fogem da fórmula cresceu muito. Hoje tem uke mais alto ou mais velho que o seme, seme fofo e tímido, casal que reveza os papéis e muita história em que ninguém se importa com rótulo nenhum.

Algumas mudanças que dá pra perceber:
- O público ficou mais diverso. BL não é mais coisa só de garotas. Tem leitores e espectadores de todos os gêneros, incluindo muitos homens gays que querem se ver nas histórias.
- A crítica à fantasia cresceu. Muita gente aponta que o yaoi clássico reflete mais fantasias femininas do que a vida real de casais gays, e os autores tão ouvindo.
- Casais reversíveis viraram tendência. Personagens que alternam os papéis conforme o momento já não são raridade.
- Os temas ficaram mais adultos. Os BLs da Tailândia, por exemplo, falam de aceitação da família, identidade e preconceito, bem longe do clichê do colégio.
Animes BL que fogem do clichê de uke e seme
Se você quer ver na prática como o BL mudou, separamos alguns animes que tratam o casal de igual pra igual. Todos estão disponíveis oficialmente no Brasil.
Sasaki to Miyano (2022)

Esse é perfeito pro assunto do post. O Miyano é fudanshi, lê BL escondido e conhece todos os clichês de uke e seme. Quando o veterano Sasaki pede um mangá emprestado, os dois começam a se aproximar, e o Miyano passa a se perguntar se ele seria o uke da história. É fofo, engraçado e brinca com os estereótipos o tempo todo.
Onde assistir: Crunchyroll (dublado e legendado). O filme Sasaki and Miyano: Graduation também está na Crunchyroll.
Given (2019)

Uma banda de rock, um garoto que carrega um luto pesado e uma voz que muda tudo. Given é BL com cara de drama musical, e o romance cresce devagar, no ritmo dos personagens. Ninguém aqui tá preocupado em definir quem é quem. Os casais são construídos com cuidado, cada um com suas inseguranças, e a trilha sonora é de chorar.
Onde assistir: Crunchyroll (dublado e legendado). Os filmes da franquia, incluindo Given: Hiiragi Mix, também estão lá, legendados.
Twilight Out of Focus (2024)

Um dos BLs mais recentes e um ótimo exemplo de como o gênero amadureceu. A história se passa num clube de cinema de um colégio interno só de garotos e acompanha mais de um casal, cada um com uma dinâmica diferente. É delicado, bonito de ver e trata os sentimentos dos personagens com muito respeito.
Onde assistir: Crunchyroll (legendado).
Yuri!!! on Ice (2016)

Não é um BL tradicional, mas virou fenômeno justamente por mostrar um casal sem rótulo nenhum. O patinador Yuri Katsuki tá quase desistindo da carreira quando o ídolo dele, Victor Nikiforov, aparece pra ser seu técnico. O que nasce entre os dois é uma relação de admiração, parceria e carinho, sem ninguém precisar ser o “forte” ou o “frágil” da história.
Onde assistir: Crunchyroll (dublado e legendado).
Perguntas frequentes sobre uke, seme e seke
O que é uke e seme?
O que significa seke?
Qual a diferença entre yaoi e BL?
O uke é sempre o mais baixo e delicado?
De onde vêm as palavras uke e seme?
No fim das contas, uke e seme continuam sendo parte do vocabulário do fandom, e tudo bem usar. O que a gente não precisa é transformar isso em regra. O que faz um BL ser bom é o casal ter química, e não quem fica com qual papel. Se quiser se aprofundar no gênero, a gente também explica o que é yaoi num post só sobre isso.




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