Demon Hunter afirma que o sucesso da animação provocou confusão entre consumidores e ameaça a identidade construída pela banda ao longo de 25 anos
O sucesso mundial de Guerreiras do K-Pop ganhou um novo capítulo desta vez, nos tribunais. A banda norte-americana de metal cristão Demon Hunter entrou com um processo contra a Netflix, a Netflix Studios e a promotora de eventos AEG Presents, alegando violação de marca registrada pelo uso do nome “KPop Demon Hunters”, título original da animação.
A ação foi apresentada em 18 de agosto, em um tribunal federal da Califórnia, nos Estados Unidos. Para a banda, o problema se tornou especialmente grave depois que a Netflix começou a expandir a franquia para além do filme, incluindo produtos licenciados, músicas e uma turnê mundial inspirada na produção. Segundo a empresa que administra os negócios do grupo, a Hyde Lane, essas iniciativas criaram uma sobreposição cada vez maior com os produtos e serviços comercializados pela Demon Hunter.
A disputa, portanto, não está relacionada ao conteúdo da animação ou ao uso da palavra “demon” em si. O argumento da banda está concentrado na possibilidade de o público associar a marca Demon Hunter à franquia da Netflix, criando a impressão de que existe alguma relação entre os dois projetos.
Banda usa o nome Demon Hunter desde 2000
Formada em Seattle, nos Estados Unidos, em 2000, a Demon Hunter construiu sua carreira dentro do cenário de metal cristão e utiliza o nome comercialmente há cerca de 25 anos. O grupo lançou 12 álbuns e continua realizando turnês, com uma nova série de apresentações pelos Estados Unidos prevista para outubro.
A banda também registrou “Demon Hunter” como marca para músicas gravadas e produtos licenciados em 2022. Um pedido de registro relacionado a apresentações ao vivo também foi apresentado posteriormente.
O problema, segundo a ação, ganhou outra dimensão depois que Guerreiras do K-Pop se transformou em um fenômeno global.
Lançada pela Netflix em junho de 2025, a animação acompanha Rumi, Mira e Zoey, integrantes do grupo fictício HUNTR/X. Quando não estão nos palcos, as três levam uma vida secreta como caçadoras de demônios.
O filme se tornou um dos maiores fenômenos da história da Netflix. De acordo com a plataforma, a produção ultrapassou 500 milhões de visualizações e se tornou o filme mais assistido de seu catálogo. A trilha sonora também alcançou enorme repercussão, com “Golden” chegando ao topo da Billboard Hot 100.
Confusão com ingressos teria levado pai a pedir reembolso
Um dos principais argumentos apresentados pela Demon Hunter no processo são situações em que consumidores teriam confundido a banda com a produção da Netflix.
Em um dos casos citados, um pai teria gastado aproximadamente US$ 500, cerca de R$ 2,6 mil, em ingressos para um show da Demon Hunter em Nova York. Segundo a banda, ele acreditava estar comprando ingressos para uma apresentação relacionada a Guerreiras do K-Pop e teria planejado levar suas filhas pequenas ao evento.
Ao descobrir o engano, o consumidor teria solicitado o reembolso.
A banda também afirma ter recebido contato de um produtor do programa Inside Edition, que procurava entrevistar um dos compositores de Guerreiras do K-Pop. Além disso, publicações nas redes sociais teriam marcado os perfis da Demon Hunter por engano ao comentar sobre a animação.
Para a empresa responsável pela banda, esses episódios seriam exemplos concretos de como o crescimento da franquia modificou a percepção do nome “Demon Hunter” entre parte do público.
Turnê de Guerreiras do K-Pop aumentou a preocupação
A situação ganhou ainda mais força quando a Netflix anunciou uma parceria com a AEG Presents para levar Guerreiras do K-Pop aos palcos.
A futura turnê é justamente um dos pontos mais importantes da ação judicial. A Demon Hunter argumenta que a Netflix não está apenas utilizando um nome semelhante em uma obra audiovisual, mas expandindo a expressão para shows ao vivo, músicas e produtos licenciados, áreas nas quais a banda também atua comercialmente.
Na petição, a empresa responsável pelo grupo afirma que existe uma “sobreposição quase completa” entre as ofertas associadas à marca Demon Hunter e a expansão comercial de KPop Demon Hunters.
A ação também acusa as empresas de falsa indicação de origem e concorrência desleal. A banda afirma que consumidores poderiam acreditar que existe uma parceria, associação ou autorização entre o grupo de metal e a franquia da Netflix.
Netflix pode ser impedida de usar o nome em shows e produtos
A Demon Hunter pede que a Justiça impeça a Netflix e as demais empresas envolvidas de utilizar “KPop Demon Hunters” em determinadas atividades comerciais.
Entre os pedidos estão restrições ao uso do nome em músicas gravadas, produtos licenciados e na promoção de apresentações ao vivo. A banda também solicita indenização, embora o valor não tenha sido especificado na ação.
A empresa ainda pede medidas relacionadas aos materiais considerados infratores e o pagamento das despesas jurídicas.
Até o momento das primeiras reportagens sobre o processo, Netflix, AEG Presents e representantes da Demon Hunter não haviam apresentado uma manifestação pública detalhada sobre a disputa.
Uma disputa entre duas marcas com alcances muito diferentes
A dimensão do conflito fica mais evidente quando se compara o alcance atual dos dois projetos.
A Demon Hunter possui cerca de 350 mil ouvintes mensais no Spotify, enquanto as músicas associadas à franquia Guerreiras do K-Pop somam dezenas de milhões de ouvintes mensais na plataforma.
A diferença ajuda a explicar por que a banda considera o crescimento da franquia uma ameaça à identidade comercial construída ao longo de décadas.
Na visão apresentada pela Demon Hunter, o problema não é simplesmente a existência de duas expressões semelhantes. O receio é que a força da marca criada pela Netflix seja tão grande que o público passe a associar automaticamente “Demon Hunter” ao universo de K-pop da animação, diminuindo a capacidade da banda de controlar a própria identidade comercial.
O grupo chegou a classificar a situação como uma “crise existencial” para sua marca na petição apresentada à Justiça.
Enquanto o processo avança, a Netflix segue expandindo o universo de Guerreiras do K-Pop. Além da turnê, uma sequência da animação já está em desenvolvimento, reforçando o potencial de crescimento da franquia e tornando a disputa pelo uso comercial do nome ainda mais relevante.
Por enquanto, caberá à Justiça norte-americana decidir até que ponto a expressão KPop Demon Hunters pode coexistir comercialmente com a marca Demon Hunter, criada pela banda muito antes de Rumi, Mira e Zoey começarem a caçar demônios nos palcos da Netflix.




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